Cledson Sady é membro da Academia Jacobinense de Letras

Marcelo Veras, cirurgião cardíaco, psiquiatra, escritor e psicanalista no seu livro “A loucura entre nós” acredita que no mundo existem equilibristas e não equilíbrio.

Ele que depois de uma crise existencial, no exercício da atividade de cirurgião cardíaco, realizando cirurgias complexas de aneurisma na aorta, por exemplo, foi levado a internamento psiquiátrico, após consultas com especialistas, ao relatar falta de sentido da vida.

Migrou para a psiquiatria e começou a ver que não estava só. Muita gente continua a viver sem sentido de vida e seguindo as orientações da ciência atual, que acusa quem for de encontro aos critérios temporais da ciência como ignorantes ou negacionistas.

Foram “negacionistas” aqueles que discordaram da ciência que apontou como doença a Drapetomania e a Diestesia Etíope, descoberta pelo estadunidense (Samuel Cartwright, 1793–1863) em 1851.

A Drapetomania foi definida como doença psiquiátrica que fazia com que os escravos tivessem vontade de fugir. Como tratamento recebiam banhos frios e ficarem amarrados até que a vontade passasse. Quem fosse contrário a esta determinação da ciência seria hoje acusado de “negacionista”, mesmo por leigos.

A Diestesia etíope foi definida como doença que gerava falta de disposição para o trabalho e não compreensão de sua condição de escravo. O tratamento adotado era uso de chibatadas e encarceramento até que se obtivesse a “cura”.

Lógico, antes que aqueles que sofrem de uma doença ainda não rotulada pela ciência psiquiátrica (seria mitomania?) atual pela atitude de forçar transferência ideológica de política partidária para arrebanhar alguma ovelha sem equilíbrio para seu curral venham aplicar alguma cartilha receita de bolo, afirmo que acredito nas pesquisas científicas vinda da ciência e não dos amontoados políticos.

Michel Foucault no seu livro “Microfísica do poder”, no capítulo intitulado “A casa dos loucos” categoriza a verdade científica como uma entidade facilmente desqualificada pela prática científica e pelo discurso filosófico. Ou seja, salienta que o conhecimento, incluindo a Medicina, vale-se de estratégia e variados vieses e não de método e imparcialidade.

Nessa linha de equilibristas, num ano eleitoral de tendencia bipolar, os não filiados são constrangidos pelos polarizados a seguirem “suas opiniões” fabricadas em larga escala em cartilhas infantis, como se fossem verdades, assim como foram usadas a distesia etíope ou a drapetomania para manter o poder escravocrata em nome da “ciência”.

Não existem desinteressados nessa polarização medíocre. Nenhum destes doutrinadores quer aprofundar discussão sobre a corrupção sistêmica nos três poderes da república e qual a parte que lhes cabe nesse latifúndio. Cada um defendendo seu corrupto de estimação e todo esforço parece ser o de evitar uma terceira possibilidade, quem sabe, alguém sem alinhamento com os banqueiros.

Cada um que se equilibre como puder nesse ano de copa do mundo. A coitada da ciência tem é sofrido com estes “cientistas” de ocasião.