foto: AP/Eraldo Peres/Arquivo, reportagem: Yahoo Notícias 

O ex-ministro Antonio Palocci entregou nesta terça-feira, 26, uma carta de desfiliação do Partido dos Trabalhadores em um documento de quatro páginas endereçada à presidente do partido, Gleisi Hoffmann.

Na última semana, o PT decidiu afastar por 60 dias o político, até que o diretório de Ribeirão Preto, cidade de origem de filiação de Palocci seguisse com o processo de desfiliação. “Ele mentiu contra o partido, contra a liderança de Lula, comprometendo Lula”, afirmou Hoffman, durante a votação de afastamento, realizada na última sexta-feira.

No documento, Antonio Palocci se dispõe a prestar esclarecimentos ao partido, mas ressalta que só o fará quando a investigação do Ministério Público for encerrada. “De qualquer forma, quero adiantar que, sobre as informações prestadas em 06/09/2017, são fatos absolutamente verdadeiros. São situações que presenciei, acompanhei ou coordenei, normalmente junto ou a pedido do ex-presidente Lula. Tenho certeza que, cedo ou tarde, o próprio Lula irá confirmar tudo isso”, declara.

Nas quatro páginas enviadas ao partido, o ex-ministro se diz “Bastante tranquilo” e ressalta que “Falar a verdade é sempre o melhor caminho”.

“Vocês sabem que procurei ajudar no projeto do PT e do presidente Lula em todos os momentos. Convivi com as dificuldades e os avanços. Sabia o quanto seria difícil passar por tantos desafios políticos sem qualquer desvio ético. Sei dos erros e ilegalidades que cometi e assumo minhas responsabilidades. Mas não posso deixar de destacar o choque de ter visto Lula sucumbir ao pior da política no melhor dos momentos de seu governo. […] dissociou-se definitivamente do menino retirante para navegar no terreno pantanoso do sucesso sem crítica, do ‘tudo pode’, do poder sem limites, onde a corrupção, os desvios, as disfunções que se acumulam são apenas detalhes, notas de rodapé no cenário entorpecido dos petrodólares que pagarão a tudo e a todos”.

O ex-ministro ainda fez duras críticas a Lula, questionando ao partido sobre a “divindade” do ex-prsidente. “Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do “homem mais honesto do país” enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto (!!!) são atribuídos a Dona Marisa? Afinal, somos um partido sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”, declarou.

Confira a carta na íntegra: