por Simone Iglesias/ Eduardo Barretto, O Globo/ foto Jorge William, Agência O Globo

Assessor especial do presidente Michel Temer, o advogado José Yunes pediu demissão nesta quarta-feira por meio de uma carta em que diz que seu nome foi jogado no "lamaçal de abjeta delação" e que "foi enxovalhado por irresponsáveis denúncias".

Yunes é amigo de Temer há 40 anos e foi presidente do PMDB de São Paulo. Na delação do executivo Cláudio Mello Filho, ele é citado como receptor de dinheiro em espécie em seu escitório, em São Paulo.

Na carta, Yunes nega o recebimento de qualquer recurso e que sequer conhece Cláudio Mello Filho.

"Nos últimos dias, senhor presidente, vi meu nome jogado no lamaçal de uma abjeta delação, feita por uma pessoa que não conheço, com quem nunca travei o mínimo relacionamento e cuja existência passei a tomar conhecimento, nos meios de comunicação, baseada em fantasiosa alegação, pela qual teria eu recebido parcela de recursos financeiros em espécie de uma doação destinada ao PMDB. Repilo com a força de minha indignação essa ignominiosa versão", diz um um trecho.

Yunes afirma também que só aceitou o cargo no Palácio do Planalto para ajudar Temer, a quem chama de amigo de 50 anos, a "colocar o país nos trilhos":

"Seria uma honra ajudar o amigo de 50 anos a colocar o país nos trilhos, após a hecatombe que arrasou a economia, proporcionando a maior recessão de toda a nossa história, jogando milhões de pessoas nas ondas perversas do desemprego, minando a confiança de brasileiras e brasileiros de todas as classes em governantes e instituições".

O advogado foi citado por Cláudio Mello Filho no contexto do acordo com Temer de a empreiteira doar ao PMDB R$ 10 milhões para a campanha de 2014.

Segundo a delação de Melo Filho, parte dos R$ 10 milhões foram entregues em espécie no escritório de Yunes.

Esta não é a primeira vez que o nome de Yunes aparece na Lava-Jato associado a supostas movimentações financeiras de Temer. Em uma das perguntas endereçadas ao presidente, o ex-deputado Eduardo Cunha levanta suspeita sobre a relação entre os dois e um suposto caixa dois. “O sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB, de forma oficial ou não declarada ?”, indagou Cunha.